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A República sob a Perspectiva Aristotélica

 


Os rumos que a República tupiniquim vem tomando, em função da disputa encarniçada pela conservação do poder, tem revelado a fragilidade desta forma de governo, cuja premissa fundamental estabelece que os governantes devem priorizar o interesse público, em detrimento do interesse privado.

O termo, cunhado durante o período clássico na Roma antiga, embora os gregos já houvessem concebido tal teoria nas Academias e Jardins, provém do latim “rés publica” que significa “coisa pública”, no sentido de que os governantes devem tratar os assuntos coletivos em benefício da coletividade, pressupondo o princípio da soberania popular. 

Todavia, o que se tornou sobejamente corriqueiro na condução da máquina pública e noticiado exaustivamente nos veículos de comunicação foi a apropriação indevida dos meios estatais, com vistas à manutenção de privilégios, blindagem dos apaniguados e a criação de políticas públicas assimétricas em favor de grupos sem representatividade, tudo em flagrante contradição aos cânones republicanos.

Em que pesem as ardentes críticas dos partidários de Rui Barbosa, restou evidente a constatação da tese de Aristóteles, publicada em sua obra Política, na qual argumenta sobre a tendência das pessoas em zelar mais por aquilo que lhes pertence do que aquilo que é coletivo. O mestre afirma que “os homens demonstram maior zelo e dedicação pelas coisas que lhes pertencem particularmente” (ARISTÓTELES, 1998, p. 45).

Em outras palavras, o que é de todos não é de ninguém. O povo, essa massa amorfa e indefinida, não se importa com a tal coisa pública, sobretudo em terras tupiniquins, onde a preocupação elementar do cidadão é com o pão de cada dia, dada a grande carestia provocada por um governo inescrupuloso.

Além disso, o processo de formação social brasileiro não consagrou uma sociedade civil engajada politicamente, visto o longo e obscuro período escravista da história nacional, bem como a manutenção resiliente dos grilhões que nos impedem da participação política direta e efetiva.

Prosseguindo seu magistério, Aristóteles acrescenta que “o que é comum ao maior número recebe o menor cuidado. Cada um se ocupa mais do que é seu, e menos do que é comum” (ARISTÓTELES, 1998, p. 45).

Dito isso, o ideal republicano parece contradizer a natureza humana, desconsiderando os apetites e as paixões na sua construção teórica, fazendo Aristóteles emergir triunfante da longínqua Grécia antiga, paramentando da mais refinada armadura filosófica.


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